NOVA YORK (Reuters Health) - Quando a radiação danifica o DNA de camundongos, o dano não fica limitado ao animal exposto ao material radioativo, relataram pesquisadores britânicos. Os resultados de um novo estudo demonstram que o dano no material genético induzido pela radiação é transmitido não apenas para a primeira geração, mas também para a segunda.

As descobertas podem ter implicações para a saúde humana, embora seja tecnicamente difícil confirmar esse tipo de resultado em humanos, afirmou Yuri E. Dubrova, da Universidade de Leicester, na Grã-Bretanha. O pesquisador lembrou que nenhuma pesquisa semelhante foi feita com pessoas expostas à radiação.

Em um estudo anterior, a equipe de Dubrova verificou que a taxa de mutação mais elevada, provocada pela exposição à radiação, poderia ser passada para a geração seguinte dos animais. A chamada instabilidade genômica afeta os genes das células germinativas, ou seja, presentes nos espermatozóides e nos óvulos, e é repassada às gerações futuras.

No novo trabalho, Dubrova e colaboradores verificaram que, quando camundongos do sexo masculino de várias cepas diferentes foram expostos a níveis elevados de radiação, o aumento resultante na taxa de mutação foi passado para os descendentes, mesmo quando os filhotes não haviam sido expostos à radioatividade nem a mãe havia sido irradiada. As taxas maiores de mutação persistiram nos "netos" (segunda geração) dos animais expostos, informaram os pesquisadores.

A descoberta foi feita ao se estudar a taxa de mutação em regiões de DNA não-codificadoras, ou seja, sem função aparente, explicam os especialistas na edição de 14 de maio da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

"Ficamos absolutamente surpresos", disse Dubrova à Reuters Health. "Na segunda geração, encontramos o mesmo nível de instabilidade verificado na primeira geração de filhotes."

Ele acrescentou que a instabilidade genética "não mostrou qualquer sinal de declínio."

Não ficou claro se a taxa de mutações induzidas pela radiação pode ser transmitida para gerações de grau mais elevado, explicou o especialista. Por enquanto, a equipe não tem planos de continuar estudando a persistência do problema em futuras gerações. Os pesquisadores pretendem determinar como o dano provocado no DNA pela radiação é transmitido dos ratos expostos para os filhotes e os animais da segunda geração, explicou o coordenador do estudo.

Há "fortes evidências" de que o dano ao DNA de células germinativas -- espermatozóides e óvulos -- possa ter vários efeitos prejudiciais à saúde, o que inclui a predisposição ao câncer e à morte.

Felizmente, a exposição a níveis de radiação semelhantes aos estudados na experiência com os roedores "raramente ocorre em humanos", disse Dubrova. Quando ela acontece, a questão da transmissão da taxa de mutação para as futuras gerações geralmente não tem significado, pois, nesses níveis, a radiação frequentemente deixa os humanos estéreis.

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